Minimalismo e o seu impacto ambiental

Viver com menos é viver melhor.



O mundo em que vivemos é toxico. A publicidade, o marketing, as redes sociais e a própria televisão cultivam nas nossas mentes que queremos comprar mais, que precisamos de inúmeros bens materiais. É-nos colocado na cabeça - sem que dêmos por isso – ideais de vidas “perfeitas”, sonhos que visam obtenção de felicidade através do dinheiro e da posse de bens. O minimalismo é um movimento que contraria este modo de pensar e viver.

quando vais comprar alguma coisa, não estás a gastar dinheiro, mas sim tempo de vida, o tempo que gastaste a trabalhar para ganhar esse dinheiro."

Os níveis de stress são implantados desde o nível do ensino secundário, observamos diariamente jovens em constante e completa obsessão com as suas notas. Têm de entrar no curso que vai dar “futuro”, dizem eles. São tantos os que não escolhem o que gostam porque acreditam que se o fizessem estariam condenados. Anos mais tarde, trabalham mais horas do que é saudável, em tensão, em stress, desagradados, pensando muitas vezes que estão a fazer o melhor para si, ou que precisam de o fazer pelas suas famílias que merecem mais conforto material. Muitos provam o contrário. Dizia José Mujica, “Pepe”, ex-presidente do Uruguai que renegou os seus luxos derivados do cargo, vivendo numa pequena casa rural com a sua esposa, numa entrevista: quando vais comprar alguma coisa, não estás a gastar dinheiro, mas sim tempo de vida, o tempo que gastaste a trabalhar para ganhar esse dinheiro.

I think everybody should get rich and famous and do everything they ever dreamed of so they can see that it's not the answer"

Minimalismo é um movimento, mas também um estilo de vida. Passa por viver apenas com o essencial, com o que realmente gostamos, aquilo que é efetivamente utilizado e que nos traz felicidade. Segundo o documentário da Netflix “Minimalism: A Documentary About the Important Things”, as pessoas acumulam e consomem descontroladamente para preencher vazios nas suas vidas, ou nas suas enormes casas, sem qualquer efeito. Este comportamento fá-las continuar à procura de concretização indefinidamente e causa-lhes frustração, infelicidade. Testemunham vários no mesmo documentário que ter menos é libertador, que os faz sentir completos e felizes – nunca podes ter o suficiente daquilo que realmente não desejas. É do ator Jim Carrey a frase I think everybody should get rich and famous and do everything they ever dreamed of so they can see that it's not the answer.” – Eu acho que todos deviam experimentar ser ricos e famosos e concretizar todos os seus sonhos de modo que percebam que essa não é a solução.


Quando falamos em ecologia e ativismo ambiental existem muitas dimensões de atuação, no entanto, torna-se difícil, em alguns aspetos, agir vivendo numa sociedade capitalista consumista. Todos os dias nos deparamos com os problemas do mundo, sejam eles de cariz ambiental, social, sejam pobreza ou desigualdades. No entanto, quando é que nas nossas vidas agitadas paramos para cuidar de nós e dos problemas à nossa volta? Quantas horas temos entre um trabalho o dia inteiro e o tempo a dormir?


Ter menos coisas é contribuir menos para a poluição de indústrias em massa, ter uma casa menor é consumir menos energia, menos gastos de recursos na manutenção de objetos inúteis que estão parados há anos. Tudo isto significa ter uma pegada ecológica imensamente menor. Além disto, viver com menos é ter as contas ao fim do mês muito menos pesadas, poder trabalhar menos e naquilo que se gosta, ter tempo para refletir. E, parecendo que não, esta postura de vida, de reflexão e calma afeta, indiretamente, o nosso planeta. Através do nosso comportamento, através de uma vida plena, afastada da azáfama, conseguimos dedicar o nosso foco, a nossa energia para os verdadeiros problemas como o aquecimento global e outros acima enunciados.


Claro que, tentar algo como minimalismo nos dias de hoje é como ir contra a corrente. E, por isto, sugiro um desafio que foi também proposto no documentário supracitado. Trata-se de escolher ao todo 33 peças do armário entre roupa, acessórios e sapatos, e usar apenas essas durante 3 meses. Será uma prova de que consegue viver com menos de metade do que tem. Juntos lutamos pelo nosso planeta e pela saúde mental global.


Podcasts sobre minimalismo aqui


Artigo escrito por Beatriz Fleming


Fontes:

https://anagoslowly.com/2019/12/minimalismo/

https://www.youtube.com/watch?v=4GX6a2WEA1Q

https://www.imdb.com/title/tt3810760/


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